A natureza como espaço de aprendizagem e desenvolvimento integral
É necessário que bebês e crianças brinquem com e na natureza, assegurando a livre exploração dos desafios corporais que esse ambiente proporciona. O simples ato de subir e descer no solo arenoso, os desníveis e os elementos encontrados ao explorar esse ambiente promovem importantes aprendizados. Dessa forma eles descobrem os limites do corpo, e aprimoram habilidades essenciais para o desenvolvimento saudável. Segundo Barros (2018, p. 17), o convívio com a natureza na infância […] ajuda a fomentar a criatividade, a iniciativa, a autoconfiança, a capacidade de escolha, de tomar decisões e de resolver problemas, o que por sua vez contribui com o desenvolvimento integral da criança.”
A exploração dos elementos naturais faz com que os bebês e as crianças conheçam as características, as propriedades e as brincadeiras de faz de conta que acontecem. A terra e a areia se transformam em “comidinhas”, os gravetos são usados na maior parte das brincadeiras como utensílio para as misturas da terra ou da areia com a água. E as folhas? Ao serem lançadas no ar, quando descem como “chuva”, dão um espetáculo de cores e sensações. Os sorrisos e a diversão são garantidos quando percebem o toque das folhas em seus corpos.
Conforme destaca a Equipe Criança e Natureza (2018), “a criança, ao entrar em contato com a natureza, realiza uma imersão sensorial e afetiva, tocando, sentindo e descobrindo o mundo ao seu redor, o que é fundamental para seu desenvolvimento integral”. Quando bebês e crianças exploram a natureza, eles não estão só brincando, estão desvendando um mundo de texturas, cores e cheiros. Cada folha, cada pedra, cada galho se torna um brinquedo, um convite à imaginação. Uma poça d’água vira um espelho mágico ou um oceano a ser navegado por gravetos-barcos.
Vivências sensoriais e conexões com os elementos naturais
Essa imersão sensorial contribui para o desenvolvimento saudável, a criança aprende sobre causa e efeito ao jogar uma pedra na água, e ao correr, pular e escalar desenvolvendo habilidades motoras e aprimorando a capacidade de resolução de problemas ao construir uma cabana ou encontrar um caminho.
O ar é um elemento invisível, mas sentido com muita emoção nas andanças pelos espaços. Já o sol, uma grande fonte de calor que aquece o dia, se faz presente em um simples caminhar, contato e exploração do ambiente, fazendo com que bebês e crianças percebam as diferentes variações do clima e do tempo. Segundo a Equipe Criança e Natureza (2018), “na vivência cotidiana com a natureza, a criança desenvolve sentidos ampliados: percebe o vento que passa, o calor que aquece e o tempo que muda — sensações que constroem vínculos com o mundo natural. ”
Oportunizar encontros com a natureza é abrir uma porta para o encantamento, que conduz a um novo entendimento de mundo. Quando conhecemos a natureza, nós nos responsabilizamos pelas relações que tecemos com ela e com o outro, porque reconhecemos as conexões existentes entre todos os seres vivos.
A natureza como espaço educador: vivências e descobertas no ambiente externo.
O Currículo da Cidade de São Paulo da Educação Infantil p.97, destaca que: “Além dos espaços internos, também o espaço externo deve ser preparado para a criação de brincadeiras com recursos naturais, como folhas, árvores, areia, pedrinhas, pinhas. É parte da vida saudável de bebês e crianças o contato com a natureza: ouvir histórias e brincar na sombra das árvores, fazer cidades e estradas no tanque de areia, escalar uma escada de corda amarrada a um galho de árvore, balançar numa rede ou num balanço amarrado a um galho de árvore, brincar com barro, terra e água, produzir e brincar com objetos ao vento (pipa, biruta, cata-vento), lavar os brinquedos, participar de jogos de movimento ou simplesmente observar a natureza, ouvir um canto de pássaro, visitar as flores do jardim, acompanhar o crescimento das verduras na horta ou de uma planta. É importante assegurar a possibilidade de as crianças entrarem e saírem autonomamente do prédio, porque isso potencializa as conexões, relações e interações que elas estabelecem entre os diferentes espaços e cenários.”
Ambientes que inspiram: múltiplas linguagens, natureza e o protagonismo das crianças
Os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana p. 50 nos convida a refletir sobre a Dimensão 6, que aborda a organização dos ambientes educativos, sendo eles: tempos, espaços e materiais.
Essa dimensão aponta ações que devem ser consolidadas nos Centros de Educação Infantil, como a organização dos ambientes com oferta de materiais diversos (tecidos, papelão, madeira, fios, elementos da natureza, tintas, pincéis, barro, argila, massinha, espelhos, fantasias e instrumentos sonoros) que favoreçam o trabalho com as múltiplas linguagens, evitando assim o uso exclusivo de materiais plásticos.
Incentivar as crianças a se aventurarem com e na natureza, deixar a imaginação fluir, com os pés descalços sentirem a terra e o coração se conectar com a beleza do mundo natural, uma forma de enfrentar a emergência climática a partir do protagonismo infantil e promover o desemparedamento das infâncias.
Temos como objetivo escutar as crianças para compreender suas necessidades, respeitando seu direito à participação, à luz de suas perspectivas, linguagens e cultura. Reconhecemos também seu direito à participação e à expressão no movimento de interação, brincadeira, cuidado de si, do outro e do ambiente/natureza.
“Escutar é derrubar o muro que separa os adultos das crianças.” – Ribeiro (2022), p. 49
Links e texto de apoio:
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes. Rio de Janeiro: Criança e Natureza, 2019
- Currículo da Cidade Educação Infantil – São Paulo | 2022
- Pedagogia das Miudezas: Saberes necessários a uma pedagogia que escuta. Ribeiro, Bruna – São Paulo | 2022
Escrita do texto: Marineuza Lourenço/ Erica Patrícia e Tatiane Cavalcanti (Coordenadoras Pedagógicas)
Revisão da escrita: Patricia Nunes, Neide Cavalcante (Gestoras da Primeira Infância) e Clayton Rosário Azevedo, Luzia Aparecida da Silva, Priscila Antunes, Thais Rosa (Coordenadores Pedagógico).



















