EscutAção: entre gestos e olhares, a escuta de bebês e crianças no cotidiano educativo 

Destaques

Práticas pedagógicas que ampliam a participação, a escuta e a autoria de bebês e crianças  

A escuta de bebês e crianças vai muito além de simplesmente ouvir. É uma experiência sensível e atenta da/o educadora/or que busca perceber, entender e acolher as diferentes formas como eles se expressam. Mesmo que ainda não verbalizem, se comunicam por meio de gestos, olhares, expressões, choros e brincadeiras.

Reconhecer essas manifestações como linguagens e compreender que, por meio delas, as crianças revelam seus interesses, necessidades e modos de se relacionar com o mundo é muito importante para a aprendizagem cotidiana. Assim, a escuta nos leva a enxergar os bebês e as crianças como sujeitos ativos, participantes e potentes em suas experiências.

Escuta em ação - presença, observação e interações no cotidiano das Unidades Educacionais  

A escuta se faz presente quando a/o professora/or observam atentamente as crianças em suas brincadeiras, acolhem suas emoções, respeitam seus tempos e valorizam suas iniciativas. Ela se manifesta quando o adulto se aproxima, conversa, faz perguntas e aguarda uma resposta, seja ela um gesto, um olhar ou uma ação.

Também acontece quando as produções das crianças são valorizadas, quando suas escolhas são consideradas e quando o planejamento é reorganiza a partir daquilo que elas demonstram interesse. É nesse movimento que a escuta passa a orientar as práticas pedagógicas.

Dessa forma, a escuta vai se construindo nas relações, fortalecendo vínculos, gerando confiança e constituindo um ambiente em que bebês e crianças se sentem seguras para explorar, conhecer, participar e se expressar.

 “Aprender a observar e a escutar os bebês e as crianças é o desafio da(o) professora(or) que compreende a educação como um processo no qual as demandas de bebês e crianças, seus interesses e suas necessidades geram processos coletivos de ampliação e aprofundamento das experiências corporais, sociais, culturais e científicas.” (SÃO PAULO, 2019, p. 73).

Em diálogo com o planejamento estratégico da oferta de aprendizagem e desenvolvimento, fortalecemos o processo de EscutAção com bebês e crianças, compreendendo que escutar é um exercício prático da ação cotidiana e implica agir a partir do que é observado, vivido e compartilhado com elas. Trata-se de uma escuta com presença, que se desdobra em práticas pedagógicas intencionais, alinhadas aos direitos de aprendizagem, às experiências de brincadeira, interação e aos interesses manifestados pelas crianças.

Nesse contexto, a escuta ganha ainda mais sentido quando articulada ao brincar, especialmente no contato com a natureza. Ao explorar a terra, a água, as folhas, os gravetos e outros elementos naturais, bebês e crianças revelam curiosidades, interesses e formas próprias de conhecer e investigar o mundo por meio do despertar dos sentidos.

Cabe a nós estarmos atentos a essas manifestações, acolhê-las e transformá-las em possibilidades pedagógicas, com respeito e cuidado consigo, com o outro e com o ambiente, contribuindo para a preservação do meio ambiente e para o cuidado como prática pedagógica na unidade educativa.

Educação Ambiental é definida como “um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relações de interdependência e diversidade”.

(trecho do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e de Responsabilidade Global, 1992).

A escuta como prática sustentável  

Ao exercermos uma escuta profunda, deixamos de ser apenas transmissores de conhecimento e nos tornamos parceiros na jornada de aprendizagem, ampliando saberes e fortalecendo práticas de cuidado contínuo. Nesse processo, reconhecemos e valorizamos as diferentes identidades, legitimando a existência do outro.

Escutar é comunicar à criança, mesmo sem palavras: “Eu vejo você. Eu percebo seus movimentos. O que você faz importa para o mundo”.  


Referências bibliográficas:

https://acervodigital.sme.prefeitura.sp.gov.br/acervo/curriculo-da-cidade-educacao-infantil/ 

https://acervodigital.sme.prefeitura.sp.gov.br/acervo/curriculo-da-cidade-educacao-ambiental-orientacoes-pedagogicas/