Educação antirracista

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Educação antirracista: como e por que praticá-la na Primeira Infância?

Além de contribuir para a construção de uma sociedade igualitária, o trabalho pedagógico voltado para as relações étnico-raciais com bebês e crianças traz impactos positivos que perduram por toda a vida.

Estimular a reflexão e a coragem de lutar contra posicionamentos e preconceitos estruturais, aceitos de maneira silenciosa, é uma movimentação que tem ganhado força em diversas esferas, e a Educação Infantil segue essa tendência. Ainda bem! “Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”, ecoam as famosas palavras da filósofa Angela Davis.

Mas afinal, o que é a educação antirracista nos períodos iniciais da vida escolar? Responde Patricia Nunes, supervisora de Formação Continuada da Primeira Infância da Liga Solidária. Convidamos famílias e educadores a enriquecerem ainda mais esse repertório. Aceita? Leia, então, o nosso bate-papo com a profissional.

Crianças brincando com bonecos de pano ao ar livre

“Promover a autoimagem positiva, o respeito mútuo, a valorização das diferenças e a curiosidade cultural, construindo desde a infância uma sociedade mais justa e inclusiva.”

Responde Patricia Nunes, supervisora de Formação Continuada da Primeira Infância da Liga Solidária.

Convidamos famílias e educadores a enriquecerem ainda mais esse repertório. Aceita? Leia, então, o nosso bate-papo com a profissional.

Por que é tão importante trabalhar a equidade racial e a aproximação com as culturas do povo originários desde a Primeira Infância?

Nossos ambientes de aprendizagem, que promovem a igualdade racial, são abertos às experiências infantis e possibilitam que as crianças expressem seus potenciais, emoções, sentimentos, habilidades e curiosidades, construindo uma autoimagem positiva e valorizando o contexto local, social e a cultura familiar. Ao apresentarmos as diversas culturas, afirmamos que existem diferenças e que as valorizamos.

De forma prática, isso acontece por meio de brincadeiras com bonecas e bonecos, instrumentos musicais e confecção de materiais que contemplam personagens negros, indígenas e migrantes, representados de modo positivo. Quanto à abordagem, depende da idade da criança, lembrando que elas aprendem brincando.

No berçário, por exemplo, contamos histórias, cantamos e apresentamos imagens, sempre abordando o cuidado consigo, com o outro e com o ambiente, de forma leve, despertando a curiosidade das crianças e promovendo um ambiente de aprendizado e afeto.

O envolvimento das famílias, então, é fundamental. Como vocês fazem isso?

Sempre oriento as famílias a evitarem uma imagem idealizada e hegemônica, valorizando as singularidades dos arranjos familiares e as contribuições de todos na construção de uma educação de qualidade e igualitária, que respeita e valoriza as diferenças.

Quando mães, pais e cuidadores são convidados aos nossos encontros, mostramos o que fazemos no contexto educativo. Por exemplo, se estamos trabalhando experiências de brincar e cantar que envolvem a cultura afro-brasileira, montamos um canto no ambiente de aprendizagem para que possam brincar.

Também as convidamos a compartilhar suas habilidades e a participar do processo educativo, através do conhecimento plural de cada uma. Uma mãe africana veio contar histórias e brincadeiras de seu continente, além de trazer máscaras, roupas e caracterizações típicas. Outra mãe indígena foi até o CEI para apresentar brincadeiras e comidas tradicionais de sua cultura. Também trabalhamos bastante com a cultura das famílias que vêm do campo, e a cultura nordestina, por exemplo, é uma das mais valorizadas na nossa educação infantil.

Temos a Sacola Viajante, que contém brinquedos de diversas culturas, ela fica um tempo em cada casa, permitindo que as famílias interajam com os brinquedos e conheçam diferentes culturas. Além disso, convidamos as famílias a compartilharem suas habilidades e conhecimentos, enriquecendo o processo educativo com suas próprias experiências interagindo em família.

Alimento sendo feito em cima de tijolos